O Peixe ainda não recebeu o pagamento pela transferência de JP Chermont ao Sharjah FC e diz que cobra os emiradenses sem resposta. Em crise financeira, o clube recebeu mais três transfer bans por dívidas.
O Santos ainda não recebeu nenhum valor referente à venda do lateral-direito JP Chermont ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, e passa a conviver com o temor de um possível calote em meio à grave crise financeira do clube. Nesta sexta-feira, 9, o clube foi punido com mais três transfer bans por dívidas relacionadas à comissão e ao ex-técnico Pedro Caixinha.
📖 Leia Também
Procurado, o Peixe afirmou que tem cobrado os emiradenses, mas não obteve resposta sobre a data do pagamento. A operação com Chermont havia sido costurada com a expectativa de gerar caixa imediato para quitar parte das obrigações com o elenco profissional.
O atleta foi negociado no fim do último mês em uma transação avaliada inicialmente em US$ 2,5 milhões (R$ 12,9 milhões). No entanto, o Santos adotou uma estratégia atípica: postergou por três anos o repasse de valores devidos ao Coritiba e ao jogador, concentrando para 2029 a utilização de uma verba adicional de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) prevista em bônus por metas.
Formado na Vila, Chermont fez 50 partidas pelo Santos e 17 pelo Coritiba.
O plano foi frustrado na última semana e novamente nesta semana, quando o clube contava receber o montante já na sexta-feira, 2, para honrar o pagamento de um mês de direitos de imagem aos jogadores. Para viabilizar o compromisso, o Santos comprometeu parte das luvas do contrato recém-assinado com a Adidas, que será fornecedora a partir de 2028.
Em entrevista concedida logo após a vitória por 2 a 1 diante do São Paulo, o presidente Marcelo Teixeira negou o uso antecipado de receitas e explicou a questão do contrato com fornecedor atual do clube:
“O nosso fornecedor é a Umbro. Nós temos projetos e contrato com a Umbro até 2027. Tem até mesmo as questões de lançamento de novas coleções que estaremos fazendo em collab agora mesmo no mês de outubro, homenageando o Pelé, então não vamos antecipar nada porque queremos respeitar o contrato atual que temos com a Umbro”.
“A previsão [do pagamento] era até hoje (2 de outubro). O que atrasou mesmo foi a documentação que estava sendo feita entre as partes, mas tenho a impressão de que se não foi depositado hoje, deve ser nas próximas horas, mas eu acredito que sim porque se já foi pago parte do direito de imagem é porque naturalmente usaram. Os valores do Chermont dá cerca de 70% do direito de imagem e outros recursos serão utilizados em outras despesas”.
Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou que o Peixe está de “chapéu na mão” diante da necessidade de buscar socorro externo.
O caos financeiro atinge prestadores de serviços: a empresa responsável pela manutenção do gramado da Vila Belmiro chegou a ficar cinco meses sem receber; a dívida foi parcialmente amortizada, mas permanece em aberto. Há cerca de um mês, o clube recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão e aliviar o fluxo de caixa; o clube negou a movimentação divulgada sobre o pedido.
Além do aperto financeiro, o planejamento esportivo de risco também pesou: a eliminação na Copa Sul-Americana, nas penalidades para o Atlético Mineiro após vitória por 2 a 0 no jogo de ida, rendeu ao clube a perda de potencial receita. Por não avançar à semifinal, o Santos deixou de faturar US$ 800 mil (cerca de R$ 4,1 milhões) — quantia que subiria se somada à bilheteria — e, em caso de título, o prêmio seria de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 50 milhões).
A assessoria pessoal do presidente Marcelo Teixeira informou que a CLT de todos os funcionários e atletas foi colocada em dia na quinta-feira, 8, horas antes da partida contra o Flamengo. Ainda assim, permanece em aberto um mês de direitos de imagem, estimado em cerca de R$ 15 milhões, e há irregularidades no recolhimento do FGTS dos jogadores. O atraso superior a dois meses permite que o atleta pleiteie rescisão indireta do contrato.
O clube também sofreu reveses judiciais recentes. Em ação envolvendo o zagueiro Joaquim, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenou o Santos ao pagamento de R$ 19.544.836,03, valor que inclui honorários de sucumbência. Segundo a sentença, a dívida final será 49,6% maior do que o montante inicialmente previsto, implicando uma diferença de R$ 6.483.110,53 para os cofres do clube.
Sem resolver todas as pendências, o Santos enfrenta novas cobranças na Fifa relativas às contratações dos zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte: clubes estrangeiros — o León, do México, e o Spartak Moscou, da Rússia — acionaram a entidade por parcelas em atraso. Somando valores principais, juros e sanções, as pendências superam US$ 3 milhões (aproximadamente R$ 15,6 milhões).



