Contratado por mais de €5 milhões em agosto, foi promovido após a lesão de Weverton. Em 64 jogos pelo Palmeiras, teve 31 partidas sem sofrer gols. Rogério Godoy e Thales Damasceno lideram sua preparação técnica.
Quando o Palmeiras investiu mais de cinco milhões de euros (cerca de R$ 34 milhões na época) na contratação de Carlos Miguel, em agosto do ano passado, a intenção era reforçar a posição de goleiro para o futuro. A lesão de Weverton, no entanto, acelerou os planos: em cerca de dois meses o jovem passou a ocupar a vaga de titular.
📖 Leia Também
Desde então, Carlos Miguel disputou 64 partidas pelo clube, das quais 31 terminaram sem sofrer gols. A rotina do arqueiro vem sendo marcada por uma preparação técnica específica no departamento de goleiros, responsabilidade da dupla Rogério Godoy e Thales Damasceno, que tem alterado a forma como os treinamentos são conduzidos.
Ele é um atleta inteligente que gosta de aprender. É muito focado no crescimento profissional, absorve bem as informações, e é corajoso para executar, tentar. Acho que esse entendimento entre comissão, preparação e atleta vem fazendo ele crescer cada vez mais.
Rogério Godoy, preparador de goleiros, ressaltou a inteligência e a disposição do atleta em assimilar o trabalho adotado nos bastidores do clube. Dois fundamentos receberam atenção prioritária desde a chegada de Carlos Miguel: o posicionamento, em especial nas bolas paradas, e as defesas no raio de ação — finalizações muito próximas, chutes ou cabeceios à queima-roupa.
A gente muda muita coisa, corrige, e somos muito detalhistas, então para falar uma coisa que mudou… Pode ser o posicionamento. O posicionamento das bolas paradas.
O próprio goleiro relatou que passou a atuar mais adiantado, quase na linha da pequena área, por estratégia alinhada com a comissão técnica e a preparação. O foco nas intervenções a curta distância teve reflexo em partidas determinantes, como o empate por 0 a 0 com o Grêmio, na última rodada do Brasileirão antes da Data Fifa, e no pênalti defendido contra a LDU que ajudou a classificar o time à semifinal da Libertadores.
O trabalho da preparação de goleiros é orientado por relatórios mensais do departamento de dados do clube, que trazem indicadores do desempenho do time e dos atletas. Entre as informações consideradas, houve destaque para a tendência de que, no futebol brasileiro recente, o maior número de gols saiu de finalizações baixas — dado que levou à adaptação dos treinos.
Apesar de oscilações e de falhas pontuais, como em partidas contra Atlético-MG e Cerro Porteño, Carlos Miguel emendou sequência de boas atuações e sustenta agora a melhor média de gols sofridos pelo Palmeiras neste século, ao lado de Weverton: 0,73. A estatística considera 47 gols sofridos em 64 jogos pelo arqueiro. Na lista histórica dos 15 goleiros que atuaram pelo clube neste século aparecem ainda Jailson (0,87), Marcelo Lomba (0,93) e Fernando Prass (1,03).
Lógico que estou jogando, mas esse troféu não serve só para mim. E é por isso que se vejo Rogério, Thales, eu prefiro que esteja alguém comigo, porque essa vitória não é só minha, é deles também.
O vínculo de confiança entre o camisa 1, os preparadores e a comissão técnica se reflete em pequenos rituais antes das partidas: ao fim do aquecimento, há minutos de orientações e conselhos práticos para pontuar situações do jogo, do tempo e do gramado, além de mensagens para reforçar a confiança nos momentos finais antes de a equipe entrar em campo.
São para pontuar uma ou outra situação dentro do jogo, do tempo, do próprio gramado, alguns alertas… passar confiança nesses últimos momentos antes de ele entrar em campo.
O goleiro, agora com 27 anos e apontado por Abel Ferreira como um atleta “ainda jovem, com potencial tremendo”, segue exigente em relação ao trabalho e busca consolidar-se como solução presente e futura para a meta palmeirense.

