Um mês após o recrudescimento do conflito no Oriente Médio, os poucos tenistas iranianos que circulam pelo circuito profissional encaram novos obstáculos para seguir competindo. Ali Yazdani, 687º do ranking da ATP, e Meshkatolzahra Safi, 1.417ª da WTA, relataram ao Eurosport França as dificuldades diárias impostas por vistos, sanções bancárias e cancelamentos de torneios.
Vistos e premiação fora de alcance
Segundo Yazdani, duas limitações pesam sobre qualquer atleta do Irã. “Precisamos de visto para praticamente todos os países onde há torneios, exceto Tunísia e Turquia. Além disso, eventos com premiação a partir de US$ 25 mil pagam apenas por transferência bancária, mas nenhum banco iraniano é aceito internacionalmente por causa das sanções”, explicou o jogador.
Para contornar o problema, o tenista de 24 anos precisaria abrir conta no exterior – exigência que demanda residência fora do Irã. “Sem resolver isso, nem acesso à Área de Jogadores da ATP eu tenho para me inscrever nesses campeonatos”, completou. Enquanto busca uma solução, ele concentra a temporada em Antalya (Turquia) e Monastir (Tunísia), cidades que recebem torneios futures quase ininterruptamente e dispensam trâmites mais complexos.
Cancelamentos e recorde histórico
Yazdani fez história em 12 de maio de 2025, ao conquistar o M15 de Teerã, primeiro título de simples de um iraniano no circuito ITF World Tennis Tour. Pouco depois, ainda na Turquia, viu várias competições serem canceladas por conta da escalada de tensão regional, inclusive a que disputava após vencer a rodada de abertura. A situação o levou a retirar-se para Istambul, onde encontrou Safi.
A única iraniana no ranking da WTA
Aos 21 anos, Meshkatolzahra Safi é a única mulher do país listada na WTA. Em 2022, tornou-se a primeira iraniana – entre homens e mulheres – a ganhar uma partida em um Grand Slam juvenil, no Australian Open, ocasião em que conheceu o ídolo Rafael Nadal. Desde então, porém, a realidade tem sido marcada por falta de recursos e insegurança.
“Se já é difícil viver do tênis, imagine com a pressão psicológica de uma guerra. Você se vê sozinha em um torneio sem saber o que acontecerá com sua família ou onde estará dias depois”, afirmou. Safi explicou ainda que o Irã carece de infraestrutura e treinadores de alto nível, limitando sua evolução. “Minha única rede de apoio é a família.”


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Custos altos e vistos temporários
A jogadora tentou treinar em uma academia na Itália no ano passado, mas os custos superaram o orçamento, agravados pela desvalorização da moeda iraniana. Mesmo que consiga permanecer na Europa, ela precisa retornar mensalmente ao Irã para renovar o visto. “Estou em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo”, resumiu.
Enquanto buscam torneios que aceitem sua participação sem entraves bancários ou burocráticos, Yazdani e Safi seguem treinando na Turquia, um dos poucos refúgios viáveis até que o cenário político e financeiro permita carreiras menos incertas.


