Bruno Santos, do Mirassol, foi suspenso por quatro jogos após ser expulso aos 23 minutos, com revisão do VAR indicando contato em André Ramalho. O Corinthians venceu por 2 a 0; a Quarta Comissão decidiu por unanimidade no Rio.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) aplicou suspensão de quatro partidas ao atacante Bruno Santos, do Mirassol, pela expulsão no duelo contra o Corinthians, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão unânime da Quarta Comissão Disciplinar foi tomada no julgamento desta quinta-feira, no Rio de Janeiro.
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O cartão vermelho foi mostrado a Bruno aos 23 minutos do primeiro tempo, após recomendação do VAR e análise no monitor, quando o árbitro entendeu que o atacante atingiu André Ramalho com o braço. Na partida, o Corinthians venceu por 2 a 0.
O jogador foi denunciado com base no artigo 254-A, que trata de agressão física e prevê pena de quatro a 12 jogos. A Procuradoria entendeu que houve contato no rosto do adversário com força excessiva e fora da disputa de bola.
Bruno Santos participou da sessão virtualmente e se justificou na audiência, afirmando que o adversário “deu uma valorizada”. Em suas palavras, ele negou intenção agressiva e explicou a dinâmica da disputa:
Em nenhum momento eu quis dar uma cotovelada. Eu tentei colocar meu braço para proteger e girar para colocar minha mão no peito dele. Minha intenção era apoiar no peito dele, mas deu a entender que pegou no rosto. Não é o meu tipo ser um jogador agressivo e ele também deu uma valorizada por estar precisando do resultado positivo. Foi mais uma disputa acirrada mesmo, de espaço também.
A defesa do Mirassol, representada pela advogada Anna Diedrich, sustentou que Bruno deveria receber a pena mínima. A advogada alegou pressão mútua entre as equipes, informou que o atleta atingido não necessitou de atendimento médico e pediu a desclassificação da conduta para hipóteses menos gravosas.
Existia pressão de ambas as equipes, e a expulsão ocorreu aos 23 minutos do primeiro tempo, o que representou uma vantagem muito significativa para que permanecessem com um jogador a mais em campo. O atleta atingido valoriza a braçada, não necessita de atendimento médico, e o cartão vermelho só foi aplicado após a análise do VAR. Não há que se falar em agressão física. A agressão pressupõe uma conduta perigosa e intencional.
Pede-se, portanto, a desclassificação para o artigo referente à conduta de hostilidade, com a conversão da pena em advertência, uma vez que o Mirassol já foi muito prejudicado nessa partida. Alternativamente, requer-se a desclassificação para jogada violenta, com a aplicação da pena mínima, tendo em vista a primariedade do atleta.
O relator do processo, o vice-presidente Caio Barros, acatou a denúncia na sua integralidade e explicou os fundamentos de sua decisão ao aplicar a pena de quatro partidas, levando em conta a primariedade do atleta e a ausência de dano mais grave ao adversário.
Vou acatar a denúncia na sua integralidade quanto ao artigo 254-A. A súmula, que é corroborada depois com o vídeo, traz os elementos do artigo 254-A: o golpe, o braço alto na direção do rosto do adversário; a questão de estar fora da disputa de bola e a presença de uma força excessiva. Ao colocar o braço naquela altura, com força excessiva e fora da disputa de bola, ele infringiu o artigo. Levando em conta a primariedade do atleta e por não ter ocorrido nada mais grave ao adversário, aplico a pena de quatro partidas.
O voto do relator foi acompanhado integralmente pelo presidente da Comissão, Sálvio Dino, e pelos auditores Gabriel Fonseca e Rodrigo Buzzi. O Mirassol informou que deve recorrer da decisão em primeira instância e levar o caso ao Tribunal Pleno. Se a punição for mantida, Bruno só poderá entrar em campo na última rodada, contra o Grêmio.
Bruno já havia cumprido suspensão diante da Chapecoense e, com a pena agora aplicada, ficará de fora também das partidas contra Atlético-MG, Fluminense e Athletico Paranaense. Contratado no meio do ano, o centroavante soma quatro gols em 20 jogos pelo Mirassol.
Além da suspensão e das questões disciplinares envolvendo o atleta, a partida gerou punições financeiras: o Mirassol foi multado em R$ 5 mil por atrasos no primeiro e no segundo tempo, enquanto o Corinthians recebeu multa de R$ 2,5 mil.



