Na Ilha do Retiro, o Sport bateu o São Bernardo por 2 a 1 mesmo com 48% de posse de bola. Apesar da média de 54,4% na Série B, o time soma 9 jogos com menos posse: 7 vitórias e 2 empates.
A vitória por 2 a 1 sobre o São Bernardo, na terça-feira, na Ilha do Retiro, reforçou um paradoxo do Sport nesta Série B. Segundo time com maior média de posse de bola da competição, com 54,4%, o Rubro-negro pernambucano apresentou novamente maior eficiência ofensiva nos jogos em que teve menos a bola.
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Ao fim da partida contra o São Bernardo, o Sport terminou com 48% de posse. No total, o clube disputou nove partidas em que ficou menos tempo com a bola que o adversário e não sofreu nenhuma derrota: foram sete vitórias e dois empates.
Os números ajudam a explicar o fenômeno. Quando teve mais de 50% de posse, em 22 jogos, o Sport produziu em média 14,6 finalizações por partida, com cerca de 4 delas no alvo. Já nos jogos em que teve menos posse, a média de chutes caiu para 11,3, mas as finalizações certas subiram para aproximadamente 4,7.
A diferença também aparece no aproveitamento de gols: com mais de 50% de posse o Leão marcou 1,32 gols por partida; com menos posse a média sobe para 1,67. Neste levantamento ficou de fora o empate em 0 a 0 com o América-MG, quando as equipes tiveram 50% de posse cada.
O duelo com o São Bernardo foi um retrato desta fase. O Sport finalizou 19 vezes, contra 20 do adversário. O time saiu na frente, sofreu o empate nos primeiros segundos do segundo tempo e encontrou o gol da vitória aos 40 minutos. No final, recuou e resistiu à pressão paulista para garantir os três pontos.
Os dados de passe confirmam a objetividade do jogo: 357 passes certos e 84,2% de aproveitamento geral; no terço final foram 164 passes certos com 77,1% de precisão. Ou seja, o time não precisou controlar a maior parte da posse para avançar ao setor ofensivo.
Esse perfil apareceu em outras vitórias relevantes na Série B: fora de casa o Sport venceu o Vila Nova por 1 a 0 com 36% de posse e o Athletic por 2 a 1 com 43%. Na Ilha, derrotou Náutico e Ceará por 2 a 0 com 40% e 44% de bola, respectivamente, e em todos esses jogos suportou momentos de pressão adversária.
As mudanças de treinadores ao longo da Série B não alteraram a média de posse do time. O Sport manteve índices superiores a 50% nos períodos de Márcio Goiano (53,7%), Dal Pozzo (56,7%) e Mariano Soso (55%). Roger, com apenas um jogo, não foi considerado no recorte.
Sob o comando de Mariano Soso foram registradas três vitórias com mais posse, contra Ponte Preta (65%), CRB (56%) e Juventude (53%), e duas vitórias com menos posse nos últimos confrontos, diante do Athletic (43%) e do São Bernardo (48%).
O padrão observado indica que, na Série B, o Sport tem compensado eventual menor domínio territorial com maior eficiência nas chances criadas e melhor aproveitamento das finalizações, transformando menos posse em resultados positivos.



