Ela é a principal estrela entre seis convocadas no Mundial de Roterdã e competirá só no salto e na trave; o solo está fora dos planos. Rebeca prioriza recuperação física e mental visando longevidade até Los Angeles 2028.
Rebeca Andrade e mais cinco brasileiras estão convocadas para o Mundial de ginástica artística em Roterdã. A ginasta de 27 anos aparece como a principal estrela da equipe e segue sendo a atleta mais condecorada da competição. Uma nova Rebeca vai competir na Holanda a partir de segunda-feira em seu papel como especialista no salto e na trave; o solo permanece fora dos planos.
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Desde o retorno às competições em junho, Rebeca passou a priorizar a recuperação física e mental, com um planejamento voltado para um retorno gradual visando a longevidade da carreira até Los Angeles 2028. Nesse processo, a atleta voltou a competir primeiro no salto, aparelho em que é bicampeã mundial e campeã olímpica. Rebeca recuperou dois de seus saltos: o Yurchenko com dupla pirueta (dificuldade 5,0) e o Lopez (dificuldade 4,8), e foi campeã do Pan-Americano com média de 14,549 pontos, a maior do mundo na temporada.
Esse retorno é pensado passo por passo para ter uma readaptação. Claro que uma atleta com a experiência dela já tem muito repertório. Aí às vezes a gente precisa trabalhar até para manter esse aspecto gradual e não pular etapas. É um cuidado fundamental para adaptar corpo e mente àquela carga, àquele estímulo.
Disse Aline Wolff, psicóloga responsável pelo trabalho mental de Rebeca.
O segundo aparelho no cronograma de retorno foi a trave. Rebeca competiu pela primeira vez na Copa do Mundo de Szombathely, em setembro, e ficou com a prata. Na classificatória ela chegou a 14,100 pontos, uma marca que pode valer medalha em uma final de Mundial, embora não a coloque necessariamente entre as favoritas, já que concorrentes alcançaram ou superaram os 15 pontos nesta temporada. Há registros também de notas recentes, como a apresentação com 13,600 na trave pela Copa do Mundo.
As barras assimétricas estão previstas no planejamento para 2027, aparelho em que Rebeca foi vice-campeã mundial em 2021 e no qual pretende desenvolver nova composição para buscar finais e pódios. Desde a conquista do ouro no solo nas Olimpíadas de Paris 2024, Rebeca anunciou que não pretende voltar a se apresentar no solo; a decisão tem caráter emocional e estratégico, já que o solo exige grande gasto físico e interferiria na meta de prolongar a carreira.
Com escala reduzida para apenas dois aparelhos, Rebeca entra numa fase como especialista. No Mundial ela vai fazer no máximo seis séries, número bem inferior às 15 apresentações de 2023, quando faturou cinco medalhas e só ficou fora de uma final. O Mundial também tem papel na preparação a médio prazo e será usado para readaptar a atleta ao circuito competitivo.
O Mundial é uma fase importante da preparação. Esse trabalho vai continuar. A gente não para aqui. Então nós tentamos colocar ela de novo no cenário. Hoje nós temos a atleta apta para competir de uma forma segura.
Disse Alvaro Margutti, fisioterapeuta da seleção brasileira de ginástica. As finais do Mundial de ginástica artística serão transmitidas ao vivo pelos canais Sportv a partir do dia 20 de outubro.



