Real Oviedo e Espanyol interromperam o início da nona rodada do Campeonato Espanhol com um protesto incomum na noite de ontem (17). Durante os primeiros 10 segundos de bola rolando, os atletas permaneceram imóveis, ignorando o apito inicial, para contestar a decisão de realizar a partida Villarreal x Barcelona, marcada para 20 de dezembro, em Miami (Estados Unidos).
A manifestação foi coordenada pela Associação Espanhola de Jogadores de Futebol (AFE), que atua como sindicato da categoria. Segundo a entidade, a La Liga não consultou os atletas sobre a possibilidade de levar jogos oficiais para fora da Espanha. Capitães de diversos clubes apoiaram a iniciativa, que deve se repetir ao longo do fim de semana em outros confrontos da competição.
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Como será o protesto
A AFE orientou que a paralisação simbólica ocorra apenas nos primeiros instantes de cada partida da nona rodada. Barcelona e Villarreal, diretamente envolvidos no duelo agendado para Miami, foram dispensados do ato para evitar interpretações de retaliação específica aos clubes.
Pontos da discórdia
Em comunicado, a AFE acusou a liga de “falta de transparência, diálogo e coerência” e exigiu a criação de uma mesa de negociação sobre o tema. A entidade considera que o deslocamento prejudica torcedores locais, aumenta a carga de viagens no calendário e pode afetar a integridade esportiva do campeonato.
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, mesmo autorizado o evento, declarou ser contra jogos nacionais fora dos respectivos países, classificando a decisão como “excepcional” e sem valor de precedente. Já o meio-campista holandês Frenkie De Jong, do Barcelona, disse não concordar com a partida nos Estados Unidos e criticou o impacto de deslocamentos extras no calendário.
Resposta da La Liga
O órgão presidido por Javier Tebas afirmou ter tentado se reunir três vezes com representantes da AFE, sem sucesso. A liga destacou ter repassado mais de 100 milhões de euros ao sindicato na última década e reforçou que o jogo em Miami representa apenas uma das 380 partidas da temporada, parte de um plano para ampliar a visibilidade internacional do futebol espanhol.
Tebas acrescentou que a responsabilidade pela venda de ingressos pertence ao promotor do evento e recordou que a proposta de levar jogos para os Estados Unidos foi apresentada pela primeira vez em 2018, sendo reiterada em 2020.
Novos protestos estão previstos até o encerramento da nona rodada, mantendo a discussão sobre limites e consequências de levar partidas oficiais para fora do território espanhol.


