A minuta de reforma do Estatuto Social do Santos, discutida pela atual diretoria, traz regras que, na prática, dificultam a renovação de cargos eletivos e fortalecem conselheiros vitalícios, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (1º.nov.2025).
O clube já possui, no texto em vigor, todo o procedimento para avaliar e aprovar uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF), sem exigência de manutenção de 51% do capital pela associação. Mesmo assim, a gestão alega necessidade de ajustes estatutários para “tornar a SAF mais atrativa” e leva à votação uma proposta com alterações estruturais.
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Quatro pontos centrais da proposta
1. Restrição a candidaturas à presidência
Para disputar a presidência, o associado precisará ter ocupado vaga no Conselho Deliberativo por, no mínimo, três mandatos completos — tempo equivalente a nove anos.
2. Barreiras à renovação interna
• Tempo de filiação para concorrer ao Conselho passa de cinco para dez anos.
• Prazo mínimo de associação para ter direito a voto sobe de três para cinco anos, o que tende a privilegiar sócios mais antigos, majoritariamente residentes em Santos.
3. Maioria de votos nas mãos de não eleitos
• Retorno dos “Conselheiros Efetivos”, agora limitados a 100 cadeiras, concedidas a quem já integrou determinado número de gestões.
• Esses Efetivos ganham direito a voto, assim como os “Conselheiros Honorários”.
• Ex-presidentes e ex-presidentes do Conselho (Conselheiros Natos) deixam de precisar cumprir mandato completo para obter a condição vitalícia.
• Número de conselheiros eleitos diminui de 150 para 100, fazendo com que vitalícios se tornem maioria permanente no órgão.
4. Controle sobre os eleitos
As 100 vagas destinadas a conselheiros eleitos ficam restritas às duas chapas mais votadas. Além disso, a obrigatoriedade de ordem de prioridade na inscrição de chapas é retirada, permitindo ao presidente definir, depois da eleição, quais nomes assumirão.
Na avaliação de críticos, o conjunto de mudanças garantiria à atual estrutura de poder influência prolongada tanto na administração executiva quanto no Conselho Deliberativo, enquanto o tema SAF serviria como justificativa principal para a reforma.


