Demitido há três semanas, o técnico uruguaio falou pela primeira vez sobre a saída e os desafios enfrentados. Pezzolano citou pressão por resultados e problemas econômicos que prejudicaram seu trabalho no Beira-Rio.
Demitido do Internacional há pouco mais de três semanas, Paulo Pezzolano falou pela primeira vez desde a saída do clube. O treinador uruguaio foi retirado do cargo após sequência de maus resultados no Campeonato Brasileiro, que deixou a equipe na zona de rebaixamento.
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De volta ao Uruguai, Pezzolano conversou com a imprensa local nesta terça-feira e abordou a pressão sobre treinadores no futebol brasileiro, assim como os problemas econômicos que, segundo ele, impactaram diretamente o trabalho no Beira-Rio.
“Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta.”
Pezzolano também fez referências à situação financeira do clube e à gestão que antecedeu sua passagem. Ele citou transfer bans, dificuldades com vencimentos de atletas e a falta de recursos para reforçar o elenco como fatores que limitaram o desempenho em campo.
“Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar.”
O treinador também avaliou o trabalho diário da comissão técnica e agradeceu pessoas ligadas ao clube, além de reafirmar que, na sua leitura das estatísticas, o Inter deveria figurar em posição melhor na tabela.
“O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo.”
Livre no mercado, Pezzolano afirmou estar tranquilo quanto à escolha do próximo desafio. Segundo ele, houve sondagens, inclusive do Brasil, mas não houve negociações formais até o momento. O técnico destacou ainda o carinho que recebeu de torcedores mesmo após os resultados ruins.
“O grande aprendizado foi o carinho que as pessoas me deram. Quando fiz o post, que um amigo faz, que administra minhas redes, espera outro tipo de resposta. Mas não, disseram ‘você vai voltar’, ‘não era o ano para você’, ‘o trabalho foi espetacular’, isso não é normal para um clube gigante. O mais lindo foi que, apesar dos resultados, há lugares no mundo que te valorizam a maneira de trabalhar.”
As declarações do treinador ressaltam a mistura de fatores esportivos e administrativos que, na visão dele, influenciaram o rendimento do Inter no Brasileirão. Pezzolano se mantém disponível no mercado e segue avaliando propostas enquanto recebe manifestações de apoio de torcedores e profissionais do futebol.
Fonte: ge

