Antigo chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, 89 anos, questionou a Comissão Hamilton, criada pelo piloto negro Lewis Hamilton, para promover a diversidade racial no automobilismo. “Em muitos casos, pessoas negras são mais racistas que as brancas”, disse Bernie em entrevista à emissora CNN americana.
“Isso fará com que as pessoas pensem o que é mais importante. Eu acho que é o mesmo para todos. As pessoas devem refletir um pouco e pensar: ‘Bem, que diabos. Alguém não é igual as pessoas brancas e as pessoas negras devem pensar o mesmo das pessoas brancas’. Em muitos casos, os negros são mais racistas do que os brancos”, disse o ex-mandatário F-1.
Apesar da frase polêmica, Ecclestone afirmou que a organização não se importava com pautas sobre diversidade. Para o ex-dirigente, essa é a explicação para a modalidade ter demorado para criar iniciativas nesse quesito. Ele elogiou Hamilton sobre a participação do atleta no movimento Black Lives Matter (vidas negras importam, em livre tradução).
“Lewis é especial. Primeiro, ele é muito, muito, muito talentoso como piloto e agora parece ser extremamente talentoso quando está de pé e pode fazer discursos. Esta última campanha que ele está fazendo para os negros é maravilhosa. Ele está fazendo um ótimo trabalho e são pessoas assim, que outras pessoas escutam”, afirmou.
Pelas redes sociais, a atual empresa que gerencia a categoria, Liberty Media, rebateu as declarações do ex-chefe. “Em tempos que exigem unidade para enfrentar o racismo e a igualdade, discordamos completamente dos comentários de Bernie Ecclestone, que não têm espaço na F1 e na sociedade. O Sr. Ecclestone não manteve qualquer posto em nossa organização desde sua saída, em 2017. Seu posto de chairman honorário, por ser emérito, deixou de valer em janeiro deste ano”.
À frente da Fórmula 1 desde 1971, ele deixou o comando da categoria em 2017 após sua venda para a Liberty Media, grupo americano. Casado com a brasileira Fabiana Flosi, que está grávida, Ecclestone será pai de um menino.