O ex-jogador relembra 2001-2005, quando tratou depressão no Palmeiras após graves lesões no joelho. Agora presidente do Vasco, ele reencontra o clube na semifinal da Copa do Brasil.
Pedrinho, atual presidente do Vasco, falou abertamente sobre a depressão que enfrentou durante a passagem pelo Palmeiras e reencontrará o clube hoje, na semifinal da Copa do Brasil, agora em outro papel. O relato do ex-jogador detalha um período de dificuldades físicas e emocionais entre 2001 e 2005, quando começou o tratamento no clube paulista.
📖 Leia Também
Em 2001, o jogador sofreu a terceira grave lesão no joelho, em um confronto entre Vasco e Palmeiras, desta vez defendendo o time alviverde. A sequência de problemas impactou sua vida profissional e pessoal: Pedrinho chegou a se sentir culpado por não conseguir jogar e propôs que o clube suspendesse o pagamento de seu salário enquanto estivesse afastado, proposta que não foi aceita pela diretoria à época.
O tratamento psicológico veio por indicação do então técnico Vanderlei Luxemburgo e contou com a atuação da psicóloga Suzy Fleury e do psiquiatra Antônio Guerra. Em declarações públicas, o ex-jogador relatou que poucas pessoas no clube sabiam da sua condição durante o período de afastamento.
“Você imagina um cara que é chamado de rei, um cara que tinha um dos maiores salários do Palmeiras… esse cara pode estar com depressão.”
Pedrinho detalhou episódios de isolamento, choro constante e dificuldades para entender o que estava acontecendo consigo mesmo. Em entrevistas e lives, ele descreveu comportamentos extremos motivados pela doença, que afetaram sua rotina e o convívio com colegas e familiares.
“Depressão, no meu caso específico, ela dominou a minha mente completamente e eu já estava num processo muito ruim, enfornado dentro de um quarto, dormindo no banheiro trancado, mesmo tendo um quarto. Deitado no chão do banheiro e tendo que ir para o treino, chorava até o caminho.”
Após iniciar o tratamento, o jogador reconheceu a importância da terapia e passou a falar publicamente sobre saúde mental no futebol, destacando a dificuldade que profissionais e a sociedade têm em aceitar que atletas bem pagos podem sofrer transtornos psicológicos.
“Se perguntarem: ‘O que você prefere ter cinco lesões no joelho ou a depressão?’. Prefiro ter as lesões, porque a depressão quase tirou a minha vida.”
Na parte esportiva, Pedrinho teve bons números pelo Palmeiras: em 2004 viveu sua melhor temporada no clube, com 14 gols em 49 partidas; ao todo, foram 127 jogos e 31 gols com a camisa alviverde. Depois, foi negociado com o Al-Ittihad, voltou ao Brasil para jogar no Fluminense, passou pelo Santos e retornou ao Vasco em 2008. Pelo Vasco, onde se formou e se tornou ídolo, disputou mais de 200 partidas e marcou 47 gols, conquistando Libertadores, Copa Mercosul e dois títulos brasileiros.
Hoje, como presidente do Vasco, Pedrinho tentará seu primeiro título à frente do clube em um confronto que também faz parte de uma das fases mais marcantes de sua carreira como jogador.
Com informações de ge.

