Naftas, de Porto Velho, conquistou a prata no Campeonato Master em Fortaleza. O bom resultado confirma a rotina de treinos na quadra da Escola Estadual Roberto Duarte Pires e supera expectativas.
A equipe Naftas, de Porto Velho, conquistou a medalha de prata no Campeonato Master de Vôlei disputado em Fortaleza, enfrentando adversários de várias regiões do país. O resultado nacional confirmou a rotina de treinos que o grupo mantém na quadra da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Roberto Duarte Pires, em Porto Velho, e superou as expectativas do elenco rondoniense.
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A vontade de vencer supera as deficiências técnicas e táticas. Nem nos meus melhores sonhos eu acreditava que seria possível. Era bem distante o sonho de irmos a uma competição nacional. Eu ainda estou pensando que é um sonho. Olho para o troféu, olho para a medalha e penso: caramba
— Gel Matos, atleta e coordenadora.
A preparação diária das Naftas é sustentada por uma parceria com a comunidade escolar local. A diretora da Escola Roberto Duarte Pires abriu as portas da instituição para abrigar o projeto e garantir espaço para os treinos, atividade que se tornou base para o desempenho do grupo em âmbito nacional.
Nós estamos cedendo espaço para a comunidade, vendo a nossa escola cumprir esse papel
— Rosileia Fernandes, diretora da escola.
Com a medalha no peito, a comissão técnica e a coordenação planejam intensificar os treinos com o objetivo de garantir uma vaga no Campeonato Nacional de 2027. O planejamento envolve ajustar cargas e atividades para conciliar rendimento e bem-estar das atletas, uma preocupação constante da equipe técnica.
A gente precisa cuidar do nosso corpo, da nossa mente. O vôlei é um divertimento hoje para a gente viver a vida
— Jean Meireles, técnico.
A história do time remonta a um recomeço após 20 anos longe do esporte. O reencontro com a modalidade ocorreu por recomendação médica a uma das fundadoras, que enfrentava quadro de depressão. A retomada foi gradual: o projeto começou com quatro mulheres e, dez anos depois, reúne mais de 30 praticantes em Porto Velho, superando a fase de derrotas nos primeiros torneios.
A gente se encontrou depois de 20 anos. Eu tive depressão e a gente se afasta. Uma psicóloga me perguntou o que eu gostava de fazer na infância e adolescência. Respondi que gostava de jogar vôlei, e ela me mandou voltar
— Gel Matos.
Todo mundo já tinha jogado vôlei, mas o esporte estava no esquecimento. A gente continuou e fomos persistentes
— Mara Alves, atleta e coordenadora.
Nós estávamos guardadas nos armários, engavetadas. Falei: cara, vamos dar um nome? Falei que naftalinas caía bem, todo mundo tirando a joelheira do armário com cheiro de mofo. E de naftalinas virou Naftas
— Mara Alves.
O projeto também enfatiza a renovação da saúde e o aspecto social do esporte. A integrante mais experiente tem 67 anos e segue participando ativamente dos treinos, reforçando o papel da atividade física na motivação pessoal das atletas.
Participar é arrumar uma nova motivação na vida. É outro momento que a gente achou que não teria mais
— Irene Brasil, atleta.
Além dos treinos, as Naftas utilizam as redes sociais para incentivar outras mulheres a retomarem a prática esportiva e integrar o projeto.
A gente começa a pensar: se eu fiz quando tinha 15 ou 18 anos, por que não posso fazer agora aos 57? Tu que está aí sentada, que jogou vôlei e gosta, vem para cá viver isso com a gente
— Mara Alves.



