O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou recurso de apelação contra a decisão que absolveu, em primeira instância, os sete acusados pelo incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo. A tragédia, em 8 de fevereiro de 2019, resultou em dez adolescentes mortos e três feridos.
O processo tramita desde janeiro de 2021 na 36ª Vara Criminal da Capital. Com a interposição do recurso, o MPRJ terá prazo legal para detalhar as razões que sustentam a contestação do veredicto. O caso seguirá agora para julgamento em segunda instância.
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Argumentação do Ministério Público
Em manifestação anterior, o órgão ministerial havia pedido a condenação de todos os denunciados, alegando que a investigação “comprova plenamente a responsabilidade criminal” de dirigentes do clube, de engenheiros ligados à empresa de contêineres NHJ e do profissional responsável pela manutenção dos aparelhos de ar-condicionado instalados nos dormitórios.
Réus absolvidos
Márcio Garotti (ex-diretor financeiro do Flamengo), Marcelo Maia de Sá (ex-diretor adjunto de patrimônio), Danilo Duarte, Fabio Hilário da Silva e Weslley Gimenes (engenheiros da NHJ), Claudia Pereira Rodrigues (responsável pelos contratos da NHJ) e Edson Colman (sócio da Colman Refrigeração) tiveram a acusação rejeitada pela Justiça na semana passada.
Associação de familiares contesta decisão
A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu) divulgou carta em que classifica a absolvição como “renovação do sentimento de impunidade” e alerta para o enfraquecimento da proteção a menores em entidades esportivas.
Repercussão dos parentes
Andreia Candido, mãe de Christian Esmério, declarou sentir “revolta” com o resultado. Já Alba e Wanderlei, pais de Jorge Eduardo, afirmaram viver “dor e indignação”, relembrando o vazio deixado pela perda do filho.
Ex-presidente fora do processo
O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, foi excluído da ação em fevereiro de 2025, após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro acolher pedido do MPRJ. Com mais de 70 anos, o ex-dirigente teve o prazo prescricional reduzido pela metade.
Inicialmente, 11 pessoas haviam sido denunciadas. Além do monitor Marcus Vinicius, absolvido antes da sentença, o engenheiro Luiz Felipe e o ex-diretor da base Carlos Noval tiveram as denúncias rejeitadas; recursos do Ministério Público foram negados.
Com o recurso já protocolado, o MPRJ busca reverter a decisão e responsabilizar criminalmente os sete acusados pelo incêndio considerado a maior tragédia da história do clube rubro-negro.


