O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) solicitou a anulação da decisão da juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, que rejeitou parte da denúncia contra o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli no caso dos cartões corporativos do clube.
A magistrada deixou de receber as imputações de lavagem de dinheiro e crimes tributários por “falta de justa causa”, mantendo apenas a acusação de apropriação indébita qualificada. Ela ainda declarou a incompetência da 2ª Vara para julgar esse delito e determinou a redistribuição do processo para uma vara criminal comum, além de bloquear até R$ 480 mil nas contas de ambos, proibir contato com testemunhas e dirigentes alvinegros e impedir que deixem o País sem autorização judicial.
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No pedido de nulidade, o promotor Cássio Roberto Conserino questiona a demora de 60 dias para o despacho e sustenta que a juíza deveria ter analisado, antes da decisão, seu requerimento de afastamento dela do caso. Conserino alega “relação de subordinação acadêmica” entre Oshiro e o advogado de defesa de Andrés, Fernando José da Costa, coordenador do curso de Direito da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), responsável pela contratação da magistrada como professora.
O MP-SP aguarda a manifestação da própria juíza sobre o pedido de impedimento e, paralelamente, prepara recurso para reverter a rejeição parcial da denúncia.
Investigação dos cartões corporativos
O inquérito foi aberto em agosto de 2023, após reportagem do ge apontar movimentações suspeitas durante a gestão de Duílio Monteiro Alves. Na última semana de outubro daquele ano, o clube gastou R$ 32,5 mil no Oliveira Minimercado, endereço onde a Promotoria não encontrou qualquer atividade comercial.
Houve ainda despesas com cerveja, picanha, sorvete, flores, ração animal e outros itens. A polêmica ganhou força em junho de 2023, quando faturas vazadas nas redes sociais mostraram gastos considerados pessoais. Andrés Sanchez admitiu ter usado o cartão do clube por engano numa viagem de Réveillon entre 2020 e 2021, no valor de R$ 9.416, e disse ter ressarcido R$ 15 mil.
Desdobramentos internos no Corinthians
Em 19 de julho, o Corinthians registrou boletim de ocorrência após constatar o sumiço de documentos de controle de despesas, desaparecidos durante confusão em 31 de maio na sede social. Nesse episódio, o então presidente afastado Augusto Melo tentou reassumir o cargo, provocando intervenção do Batalhão de Choque da Polícia Militar.
Posteriormente, Melo foi denunciado por lavagem de dinheiro, furto qualificado e organização criminosa no inquérito relacionado ao Caso Vai de Bet; ele nega as acusações. Enquanto isso, Andrés Sanchez pediu afastamento temporário do Conselho Deliberativo e do Conselho de Orientação do clube, e Roberto Gavioli deixou a diretoria financeira.
Até a conclusão desta reportagem, a defesa de Sanchez e Gavioli não havia se manifestado.

