Em entrevista após a derrota por 2 a 0 para o Atlético de Madrid, Lisandro Martínez culpou a diretoria pela crise do clube. Ele citou trocas de técnicos, contratações sem efeito e problemas no vestiário.
O Manchester United segue buscando explicações para a incapacidade de voltar a disputar títulos da Premier League e da Champions League com regularidade. Trocas de treinadores, contratações caras sem retorno, jogadores afastados, conflitos no vestiário e alterações na estrutura de comando estão entre as hipóteses discutidas internamente e publicamente.
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Na terça-feira (13), depois da derrota por 2 a 0 para o Atlético de Madrid, Lisandro Martínez decidiu acrescentar mais um capítulo a essa história. O zagueiro argentino não se limitou a lamentar o resultado: questionou diretamente o trabalho da diretoria e indicou Jason Wilcox, diretor de futebol do clube, como um dos responsáveis pela falta de reforços.
“Espero mais do nosso diretor técnico”
Martínez defendeu a necessidade de maiores investimentos no elenco e argumentou que a equipe havia construído uma base na temporada anterior, mas não recebeu os reforços necessários para dar continuidade ao projeto. O zagueiro reconheceu que falou movido pela raiva e pela frustração, mas manteve o teor das críticas.
O episódio reacendeu um debate mais amplo sobre limites internos do clube: jogadores podem expor publicamente a diretoria enquanto ainda defendem o escudo? A fala do argentino abriu discussão sobre se a manifestação ultrapassou uma linha que costuma ser preservada ou se apenas verbalizou uma insatisfação que já não cabe nos bastidores.
O problema do United, porém, é anterior ao episódio individual. A saída de Sir Alex Ferguson, em 2013, marcou o início de um período em que o clube teve dificuldade em transformar poder econômico em domínio esportivo. Desde então, nomes como David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjær e Erik ten Hag comandaram a equipe em projetos diferentes, sem que emergisse uma identidade clara e estável.
Essas mudanças frequentes forçaram adaptações, novas contratações e, em diversos momentos, a perda de espaço de atletas escolhidos por treinadores anteriores. O resultado tem sido uma sucessão de reconstruções que nem sempre começaram de um ponto claramente definido.
Jogadores também já haviam criticado a falta de continuidade. Em agosto de 2025, Marcus Rashford afirmou que o clube estava em uma espécie de “terra de ninguém” ao apontar a ausência de direção clara após a aposentadoria de Ferguson.
“terra de ninguém”
A trajetória do clube e a frequência de confrontos públicos com a estrutura dirigente levantam uma questão central: quem pagará o preço pelo fracasso — atletas, comissão técnica ou diretoria — e como o Manchester United pretende recuperar estabilidade esportiva e institucional nos próximos ciclos?
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