Elenco feminino do Ceará interrompe treinos ante atraso de três meses nos salários. Parte das atletas tem treinado só na academia enquanto o clube reduz verbas após o rebaixamento do time masculino.
O futebol feminino do Ceará enfrenta paralisação nos treinos após acúmulo de três meses de salários atrasados. Na segunda-feira (28) e nesta terça-feira (29), as jogadoras realizaram trabalhos na academia por conta própria, já que parte do elenco deixou de treinar no campo e o número de atletas à disposição tem sido insuficiente para completar as atividades programadas.
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A situação financeira do clube vem sendo apontada como consequência do rebaixamento da equipe principal masculina para a Série B do Campeonato Brasileiro, que tem impactado estruturas e orçamentos. Em função disso, o clube adotou medidas de redução: houve diminuição da comissão técnica e a integração de jogadoras da categoria sub-20 ao elenco profissional, com o objetivo de viabilizar a manutenção da equipe feminina para a temporada de 2026.
Segundo relatos das atletas, promessas de regularização dos pagamentos já foram feitas, mas os valores ainda não foram quitados. As jogadoras também relatam dificuldades nas cobranças: é difícil obter respostas claras sobre os prazos e a solução das pendências.
A principal preocupação das atletas é o calendário que se aproxima. O Campeonato Cearense feminino tem início marcado para o próximo dia 10, e a equipe também tem a Copa Maria Bonita na agenda. Em razão dos atrasos, algumas jogadoras chegaram a ameaçar não entrar em campo nas competições previstas.
Além dos impactos imediatos nos treinos e na preparação, a situação vem gerando apreensão quanto à capacidade do elenco de cumprir a temporada com desempenho e segurança física adequados, diante da necessidade de incorporar atletas sub-20 e da redução de profissionais de suporte.
Procurado, o Ceará informou:
Está trabalhando para regularizar as pendências existentes e reforça o compromisso com a resolução das questões financeiras envolvendo as atletas.
A reportagem manteve o registro das datas em que as atletas passaram a treinar apenas na academia (28 e 29), do prazo de três meses de salários atrasados e das competições com datas indicadas pelo clube. O desfecho das negociações e a confirmação da escalação da equipe para as competições previstas dependem da regularização financeira anunciada pelo clube.

