O Flamengo apresentou, nesta terça-feira (23), o balanço financeiro do primeiro ano da gestão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap. O clube alcançou receita de R$ 2,1 bilhões em 2025, superando em 30% a previsão orçamentária de R$ 1,6 bilhão e estabelecendo novo recorde – o anterior era de R$ 1,3 bilhão obtido em 2023.
Patrocínio máster impulsiona faturamento
Boa parte do crescimento é atribuída ao contrato firmado em agosto com a casa de apostas Betano, considerado o maior patrocínio máster do futebol brasileiro. O acordo, que engloba o futebol masculino e feminino, modalidades olímpicas, vôlei, basquete e ações na FlamengoTV, rende R$ 268,5 milhões por temporada.
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Venda de jogadores supera projeção
O orçamento previa arrecadar R$ 228 milhões com transferências de atletas, mas o clube somou cerca de R$ 545 milhões. Entre as principais negociações estão Wesley para a Roma por 25 milhões de euros (R$ 162,2 milhões), Gerson para o Zenit por 25 milhões de euros (R$ 160,6 milhões) e Alcaraz para o Everton por 15 milhões de euros (R$ 96 milhões).
Resultados esportivos acima das metas
Em campo, o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro e a Libertadores. O planejamento previa terminar o Brasileirão no G-2 e chegar à semifinal continental.
Caixa livre e perspectivas para 2026
O desempenho financeiro resultou em caixa livre de R$ 218 milhões, 35% acima da estimativa de R$ 161 milhões. Para 2026, Bap afirmou que não pretende vender atletas para equilibrar as contas, mas ressaltou a necessidade de reduzir a idade média do elenco para enfrentar calendário de 60 a 70 partidas por ano.
Novo estádio e apoio da FGV
O presidente também atualizou o projeto do estádio próprio. O terreno negociado na gestão anterior, de Rodolfo Landim, teve o prazo de contrapartidas ampliado pela prefeitura. Além disso, o clube buscou a Fundação Getulio Vargas para diminuir o custo estimado da obra de R$ 3 bilhões para R$ 2,2 bilhões.
Riscos mapeados: avanço das SAFs
No relatório, o Flamengo lista possíveis ameaças, destacando a possibilidade de ser a única associação civil no Brasileirão de 2029 diante do avanço das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). “SAFs com injeção de capital externo exigem que o clube mantenha eficiência máxima”, aponta o documento. Bap criticou dirigentes que, segundo ele, “pioram resultados” para justificar a transformação em SAF.
Outros riscos mencionados incluem mudanças em legislações que afetem direitos de transmissão, impostos, patrocínios de apostas, entrada de recursos ilícitos no futebol e ausência de reforma estatutária que garanta gestões responsáveis.


