Fernando Romboli, 36 anos, atual 40º colocado do ranking mundial de duplas e número 1 do Brasil, ainda luta por espaço fora das quadras. Em entrevista concedida nesta semana, o carioca criado no litoral paulista contou como administra carreira, finanças e visibilidade num cenário em que, apesar dos resultados, segue sem patrocínio para raquetes e mantém pouco mais de 11 mil seguidores nas redes sociais.
Trajetória até o top 40
Romboli passou a maior parte da carreira no circuito Challenger, considerada a “segunda divisão” do tênis, onde prêmios e pontuação são inferiores aos torneios ATP e Grand Slam. A virada veio em março de 2025, quando, após herdar vaga de última hora no Masters 1000 de Indian Wells, alcançou a semifinal ao lado do australiano John Patrick Smith. O bom momento seguiu com título do ATP 250 de Houston, vice-campeonato em Hamburgo, oitavas em Roland Garros e US Open, além de quartas em Toronto.
📖 Leia Também
Fim da parceria com Smith
Segundo o brasileiro, a ruptura aconteceu depois de desentendimentos com o então treinador de ambos, o norte-americano James Cerretani. O desgaste se estendeu por seis meses e culminou na separação ao término da temporada.
Nova dupla com Marcelo Melo
Para 2026, Romboli formará parceria fixa com o mineiro Marcelo Melo. O acordo foi fechado poucos dias após Melo e Rafael Matos anunciarem separação. “Nosso principal objetivo é terminar o ano entre os 30 melhores e chegar, ao menos, às quartas de um Grand Slam”, disse o tenista.
Prêmio em dinheiro e agência própria
O salto de desempenho refletiu no prêmio total de cerca de US$ 350 mil em 2025. O valor, afirma Romboli, permitirá investir em logística mais confortável — como voos e hospedagens melhores — sem comprometer o orçamento. Parte da estabilidade se deve também à agência de venda de passagens que o atleta abriu há quatro anos para financiar as viagens no circuito.
Falta de patrocínio para raquetes
Mesmo no top 40, Romboli não tem contrato com a Wilson, marca da raquete que utiliza (modelo Pro Open 16×19). Ele recebe até quatro unidades por ano em torneios de Grand Slam, mas compra parte do material de distribuidores paralelos. Segundo o jogador, a empresa recusou formalmente fechar patrocínio mesmo após a semifinal em Indian Wells.
Meta de visibilidade digital
Consciente da importância das redes sociais para atrair marcas, o brasileiro lançou campanha para atingir 10 mil seguidores no Instagram — número superado nesta semana. A ideia, diz, é tornar o perfil mais ativo e, assim, ampliar possibilidades de patrocínio.
Objetivos esportivos
Além do top 30 e das quartas de Grand Slam, Romboli planeja defender pontos importantes no primeiro semestre, repetir boas campanhas em Masters 1000 e buscar nova conquista no Rio Open, torneio vencido por Melo em 2025.
O tenista reforça que, mesmo com o avanço no ranking, ainda não tem vaga garantida em todos os Masters 1000 ou ATP 500, o que mantém a pressão por resultados constantes. “Lutei a vida inteira para chegar aqui e não quero ficar só um ano”, resume.

