O retorno do tênis ao complexo hoteleiro da Costa do Sauípe, esta semana, com a disputa do Challenger 125, também trouxe de volta rostos conhecidos do antigo Brasil Open. Entre eles está Leandro Borges, que foi boleiro nos tempos em que Gustavo Kuerten dominava as quadras e agora é o responsável por coordenar os pegadores de bola do torneio.
Do projeto social à liderança
Borges entrou no mundo do tênis aos 14 anos, selecionado por um projeto que buscava jovens com bom desempenho escolar para formá-los como professores. Dos quatro participantes da turma inicial, ele foi o único que seguiu carreira no esporte.
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Hoje, o ex-boleiro comanda um projeto próprio em parceria com o complexo da Costa do Sauípe, atendendo entre 30 e 50 crianças da comunidade de Mata de São João, cidade vizinha ao resort. Os boleiros que atuam nesta edição do Challenger saíram desse grupo.
Quadra pública impulsiona crescimento
O projeto ganhou fôlego há dois anos, quando a prefeitura construiu uma quadra próxima à escola local. Segundo Borges, cerca de seis jovens se dedicam diariamente ao tênis e já participam de torneios regionais.
“Quando soube que o Sauípe voltaria a receber um torneio, quis dar a essas crianças a mesma oportunidade que tive”, afirmou. Para muitos, este é o primeiro contato direto com uma competição profissional.
Ídolos e inspiração
Os adolescentes se encantaram ao ver de perto o baiano Guto Miguel, de 16 anos. Borges relembrou que, quando tinha a mesma idade, ficava fascinado ao observar Rafael Nadal no Brasil Open em Sauípe, onde atuou como boleiro em todas as edições.
Lembranças do Brasil Open
Na época em que recolhia bolas, Borges esteve na quadra central ao lado de ex-números 1 do mundo, como Gustavo Kuerten, Carlos Moyá e Juan Carlos Ferrero. No entanto, dois tenistas marcaram sua trajetória de forma especial: o argentino Guillermo Coria — protagonista da final contra Kuerten considerada por ele uma das melhores do torneio — e o paulista Júlio Silva, que também foi boleiro e começou a jogar aos 14 anos antes de se tornar profissional.
Valor dos pequenos gestos
Apesar do protocolo que desestimula fotos e autógrafos, Borges recorda que alguns atletas presenteiam os boleiros. Um amigo guarda até hoje uma camisa de Guga, autografada em 2001. “Muitos jogadores entendem a importância do boleiro; um simples ‘obrigado’ já faz diferença”, contou.
Ele relatou ainda que um dos jovens do projeto ficou eufórico ao receber um cumprimento de Guto Miguel. “Esses momentos são valiosos para nós”, concluiu o chefe dos boleiros.
