A poucos dias da estreia na Copa do Mundo, parte da delegação da seleção do Irã teve pedidos de visto recusados pelas autoridades dos Estados Unidos, enquanto os atletas receberam autorização para entrar no país anfitrião. O episódio gerou acusação de discriminação por parte do governo iraniano e aumentou as tensões diplomáticas entre os dois países.
Reação do governo iraniano
A reação oficial veio no sábado (6), quando a embaixada iraniana na Turquia publicou nas redes sociais críticas à decisão norte-americana. Segundo a representação diplomática, foram excluídos do visto dirigentes, assessores técnicos e membros da comissão considerados essenciais ao funcionamento da equipe, medida que Teerã qualificou como “o mais alto nível de discriminação intencional”.
Confirmação dos EUA sobre atletas
O embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack, afirmou que os jogadores e a comissão técnica necessária receberam vistos. A própria Casa Branca confirmou posteriormente a entrada dos atletas, mas ressaltou que nem todos os integrantes da delegação foram contemplados pelas autorizações.
Dirigentes e membros da comissão barrados
Relatos da agência Fars indicam que mais de uma dúzia de profissionais das equipes médica e esportiva tiveram os pedidos de visto negados. Entre os atingidos está Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, que segundo as informações teria sido impedido por supostos vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica. Ainda conforme a reportagem, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio já havia declarado que pessoas ligadas à organização não teriam permissão para entrar no país.
Mudança de base antes do torneio
Com as incertezas sobre a emissão de vistos, a delegação iraniana alterou sua logística de preparação. A equipe desistiu de usar Tucson, no Arizona, como centro de treinos e transferiu sua base para Tijuana, no México. A chegada ao México está prevista para domingo (7), após uma etapa de treinamentos na Espanha. Para o embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, a decisão de disputar a Copa mesmo em território considerado inimigo sinaliza a intenção do país por soluções pacíficas.
Contexto geopolítico e repercussão
O caso ganhou repercussão também pelo contexto das relações entre Washington e Teerã. Segundo o texto, esta seria a primeira vez, desde a criação da Copa do Mundo em 1930, que um país anfitrião recebe uma seleção de uma nação com a qual está em guerra. Horas após a confirmação de entrada dos jogadores iranianos, autoridades americanas anunciaram novos ataques aéreos contra instalações iranianas, alegando neutralizar ameaças ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Negociações diplomáticas seguem em busca de um acordo provisório para reduzir as tensões.
Jogos do Irã na fase de grupos
A programação da seleção no Grupo G permanece inalterada:
- 15 de junho: Nova Zelândia x Irã, em Los Angeles
- 21 de junho: Bélgica x Irã, em Los Angeles
- 27 de junho: Egito x Irã, em Seattle
As disputas do Irã na primeira fase seguem conforme o calendário, apesar das dificuldades fora de campo.
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