Em análise publicada em 11 de janeiro de 2026 na coluna de Mauro Cezar Pereira, o pesquisador e comunicador Fabrício Chicca apresentou projeções que apontam o Cruzeiro SAF fora dos limites do Fair Play Financeiro (FFP) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mesmo após receber recursos do seu investidor majoritário.
Como funciona a regra
O regulamento do FFP permite que o valor pago por um atleta seja distribuído pelo período de contrato – processo chamado de amortização. Esse montante, somado a salários e encargos, compõe o chamado Pilar 3, que estabelece que o clube pode gastar, no máximo, 70% de sua receita total (incluindo eventuais aportes) com o elenco.
📖 Leia Também
Números atuais do Cruzeiro
No balanço de 2024 apresentado pelo colunista, o Cruzeiro registrou:
- Receita Operacional Líquida (ROL): R$ 282,7 milhões
- Custo anual com elenco (CAE): R$ 395 milhões
- Aportes de investidor: R$ 200,7 milhões
Com essas cifras, o clube comprometeu 81,7% da base de cálculo permitida, ultrapassando o limite de 70% em R$ 56,6 milhões.
Impacto da chegada de Gerson
A contratação do meio-campista Gerson por 27 milhões de euros (cerca de R$ 169,5 milhões) e salário estimado em R$ 2 milhões mensais, por quatro anos, adiciona um custo anual de R$ 68,39 milhões (amortização mais vencimentos) ao orçamento do futebol.
Cenários projetados para 2025
- Otimista – aumento de 50% na ROL
Receita subiria para R$ 424 milhões; custo do elenco alcançaria R$ 463,47 milhões (109,3% da receita). Para adequar-se ao FFP, seriam necessários R$ 238 milhões extras em aportes. - Realista – aumento de 34% na ROL
A receita chegaria a R$ 379,8 milhões; neste caso, o aporte exigido subiria para R$ 283,5 milhões. - Pessimista – aumento de 20% na ROL
Com ROL estimada em R$ 339,2 milhões, a injeção de capital saltaria para R$ 322 milhões.
Pressão sobre a folha salarial
O estudo também cita o reajuste do atacante Kaio Jorge. Um aumento de R$ 1 milhão mensais agregaria R$ 13 milhões por ano ao CAE, consumindo 3,29% do teto permitido apenas com um jogador.
Dependência de aporte contínuo
Segundo Chicca, sem a manutenção dos aportes do investidor, a SAF ficaria automaticamente fora do FFP, pois a amortização – despesa fixa – permaneceria nos balanços. Caso o clube não apresente à CBF um plano de sustentabilidade, poderá sofrer sanções previstas pelo regulamento.


