Em seu primeiro ano, Erasmo Damiani reestruturou a base do Corinthians e enxugou a folha e a operação. Houve cortes em elencos, revisão de funções e cerca de 13% de redução no quadro.
São Paulo, 19/10/2026 — O Corinthians cortou 60% dos custos com a folha salarial e a estrutura das categorias de base durante o primeiro ano de trabalho de Erasmo Damiani no departamento. A reformulação passou por diminuição dos elencos, cortes de funcionários e revisão de funções, com o objetivo de ajustar as despesas e reestruturar o modelo de formação.
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Damiani apresentou os números em entrevista e informou que a redução do quadro de funcionários foi de aproximadamente 13%. A economia mais ampla considerou também despesas com atletas e a manutenção da operação. Em um dos elencos, havia cerca de 60 jogadores.
A avaliação sobre o funcionamento dos setores começou após a chegada de Damiani, em outubro de 2025. Os primeiros cortes ocorreram entre novembro e dezembro, atingindo funções consideradas sobrepostas e grupos com mais atletas do que o departamento entendia ser necessário.
A revisão dos elencos levou em conta custos que ultrapassam bolsas e remunerações: alimentação, transporte, alojamento, uniformes, atendimento de saúde e suplementação também foram contabilizados na análise do custo por jogador em formação.
Em março, a diretoria projetou uma economia anual próxima de R$ 8,9 milhões com a reestruturação. O cálculo considerou dispensas, rescisões, redução de funcionários e o encerramento da categoria sub-18. Trata-se de uma estimativa daquele momento, distinta do percentual apresentado posteriormente pela direção.
Em setembro, Damiani reconheceu que a captação de talentos ainda precisava avançar. A intenção de ampliar a busca por jogadores enfrentou restrições financeiras, o que exigiu maior aproveitamento dos atletas já disponíveis e integração entre as categorias.
A reorganização ocorreu em meio aos efeitos do afastamento do clube do Movimento de Clubes Formadores, após denúncia por suposto aliciamento envolvendo Pedro Morelli, e o retorno ao grupo em agosto, após a rescisão com o jovem. Damiani comparou o período de perda de competições a uma ‘segunda pandemia’, ressaltando o impacto exclusivo sobre o clube.
‘A diferença é que a primeira foi para todo mundo, enquanto essa segunda pandemia foi só para o Corinthians’
Em setembro, o dirigente afirmou que o clube havia deixado de disputar 38 competições importantes desde 2025, apontando perda de oportunidades de enfrentar adversários de outras escolas e acumular experiência em diferentes situações de jogo.
A próxima etapa, portanto, exige mais do que manter despesas menores: o clube precisa recuperar espaço nas competições, melhorar a captação e dar sequência ao desenvolvimento dos jovens. Sobre a formação ampla, Damiani destacou o papel coletivo do processo.
‘Não estamos formando só atletas, estamos formando treinadores, preparadores físicos, roupeiros, todo mundo aqui’
O desafio agora é transformar a reorganização financeira em melhores condições para formar jogadores e profissionais, restaurando agenda de jogos e oportunidades que foram perdidas durante o período de afastamento das competições.

