MDB, União Progressista, Podemos e Republicanos anunciaram neutralidade no primeiro turno de 2026. Diretórios estaduais ficam livres para selar alianças locais — em alguns estados podem apoiar Lula.
Em um movimento inédito nas últimas duas décadas, o MDB decidiu por não apoiar nenhum candidato à Presidência no primeiro turno das eleições de 2026, adotando uma postura de neutralidade. Essa decisão não é isolada, pois a Federação União Progressista, junto aos partidos Podemos e Republicanos, também seguem a mesma estratégia, evidenciando uma mudança significativa nas principais siglas do Centrão.
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Com essa nova abordagem, os diretórios estaduais dessas legendas estão liberados para formar alianças com base nas realidades locais. Em alguns estados, poderão se aliar a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto em outros, podem apoiar Flávio Bolsonaro (PL). O objetivo principal é maximizar a eleição de senadores, deputados federais e governadores, mantendo a flexibilidade para negociar com o eventual vencedor da disputa presidencial.
A crescente importância das emendas parlamentares e o controle do orçamento federal têm redefinido a dinâmica de poder entre os partidos. Em uma análise, o diretor de Jornalismo em Brasília comentou sobre um episódio emblemático de abril de 2025, quando o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas, foi convidado a assumir o Ministério das Comunicações, mas optou por recusar e permanecer à frente da bancada. Ele destacou que cada deputado tem à disposição R$ 50 milhões para aplicação anual, enquanto cada senador conta com R$ 80 milhões, recursos que não dependem diretamente da liderança do partido ou do governo.
Essa nova configuração política foi reforçada por outro analista, que argumentou que o Congresso Nacional atualmente detém um poder significativo, quase como um regime semipresidencialista. Os partidos do Centrão, como Republicanos, União Brasil e PP, preferem não se vincular a uma candidatura presidencial, evitando o risco de apoiar um candidato que não vença.
A cientista política e professora da FGV-EESP, por sua vez, apontou que as restrições às coligações nas eleições proporcionais diminuem os incentivos para a formação de alianças nacionais. Com a proibição de transferências de recursos entre partidos não coligados, a negociação política tornou-se mais complexa. Ela enfatizou que a estratégia de coligação nacional deve considerar os interesses estaduais e a nova legislação eleitoral que está em vigor.
Além disso, a cláusula de barreira, que exige que os partidos se fortaleçam até 2030, é um fator que influencia a estratégia dos partidos. Um partido que se destaca agora pode sinalizar sua viabilidade futura, atraindo aliados e aumentando sua capacidade de negociação com o governo eleito.
A dificuldade em formar alianças amplas é evidente para os principais candidatos ao Planalto. Enquanto Lula conseguiu reunir a esquerda em torno de sua candidatura, sua interação com os grandes partidos do Centrão permanece limitada. Flávio Bolsonaro, por outro lado, chegou à convenção do PL sem o apoio formal das principais siglas do Centrão, além de não ter um vice definido.
Os receios de alianças com Flávio Bolsonaro, devido a temores de investigações pela Polícia Federal e pressões do Supremo Tribunal Federal, também têm impacto no comportamento dos partidos. A análise sugere que esse receio pode ser um fator relevante nas decisões políticas nesta eleição.
Por fim, o debate sobre o equilíbrio de poder entre o Executivo e o Legislativo continua a ser uma questão central, com especialistas sugerindo que, em tempos de polarização, partidos de centro tendem a se manter neutros para não se comprometerem.

