O Mundial em Roterdã deu duas medalhas ao Brasil: Rebeca Andrade (tricampeã no salto) e Flávia Saraiva (bronze na trave). A CBG avalia como positivo e fará ajustes no planejamento para 2027.
O Mundial de Ginástica, primeiro evento por equipes do ciclo olímpico de Los Angeles 2028, foi encerrado no último domingo (25), em Roterdã, com o Brasil somando duas medalhas. Rebeca Andrade garantiu o tricampeonato no salto e Flávia Saraiva ficou com o bronze na trave. A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) avaliou o desempenho como positivo e já projeta ajustes no planejamento para 2027, ano considerado crucial para as vagas olímpicas.
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Juliana Fajardo, chefe de delegação no Mundial, destacou o foco no processo de formação da equipe e a preocupação com a integridade das atletas durante a competição:
A gente sai daqui muito orgulhoso. É o primeiro ano do ciclo e o foco era a equipe, o retorno gradativo dessas atletas. O objetivo era conseguir colocá-las na condição técnica, emocional, e garantir a condição física delas com segurança. Terminar a competição com todas inteiras, né? Ver que a gente ainda está no topo, a gente se manteve depois de um ciclo muito vitorioso. Chegar no topo é difícil, mas se manter no topo é mais difícil ainda
Na disputa por equipes, a seleção feminina terminou em 5º lugar. O grupo masculino não conseguiu se classificar para nenhuma final individual, evidenciando pontos a serem trabalhados pela comissão técnica no próximo ciclo. A presença de potências como Estados Unidos, Japão e China permitiu à equipe brasileira avaliar o nível de concorrência em condições similares de competição.
Henrique Motta, presidente da CBG, avaliou o balanço do Campeonato e a necessidade de estudo e investimento para avançar:
É o primeiro mundial por equipes do ciclo, e além da conquista dos resultados esportivos, a gente consegue fazer uma análise do cenário. De onde a gente pode melhorar, do que precisamos investir, o que que deu certo, o que não funcionou. A gente tem um cenário competitivo muito alto e isso demanda um estudo específico. Nós tivemos um rendimento satisfatório no feminino, mas sabemos que no masculino podemos melhorar. De qualquer forma, a ginástica brasileira não sai só medalhista, ela sai multimedalhista e isso é super importante
O Mundial também teve função de dar experiência internacional às atletas mais jovens. A jovem de 16 anos Sophia Weisberg estreou na disputa por equipes e marcou 14,033 no salto, contribuição que ajudou o Brasil a terminar em 5º e garantir a classificação para o próximo Mundial.
Francisco Porath, técnico da seleção feminina, destacou a evolução durante a competição e a estratégia adotada para as finais:
A gente sai com um parâmetro que a gente pode evoluir ainda mais com essa equipe. O saldo foi positivo. Conseguimos ficar entre as oito no primeiro dia, depois melhoramos nossa posição nas finais. Fizemos uma boa estratégia pra Rebeca, saiu a medalha de ouro. Flávia entrou com coragem na final da trave, então saímos felizes
Rebeca Andrade conquistou no salto a sua tricampeonato e alcançou a marca de 10ª medalha em Mundiais, consolidando-se entre as principais referências da ginástica brasileira nas competições globais. Após a apresentação da final por equipes em Roterdã, Lorrane Oliveira abraçou Rebeca Andrade em cena que simbolizou a coesão do grupo.
O trabalho da CBG tem sido desenvolvido em conjunto com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), com profissionais atuando dentro e fora do ginásio para dar suporte multidisciplinar às atletas. Juliana Fajardo ressaltou que esse modelo de gestão tem sido determinante para a constância dos resultados:
A gente conseguiu entender a individualidade de cada uma. A gente enxergou isso há alguns anos e o reflexo hoje é desse trabalho construído. Elas sentem essa segurança na gente, então elas sabem que a gente não vai passar do ponto, não é a qualquer preço uma medalha. É gestão humanizada que consegue criar um ambiente acolhedor, mesmo num ambiente de pressão
Um integrante da comissão técnica também avaliou a importância das vivências proporcionadas pelo Mundial, além das medalhas:
Eu sempre escuto que o Brasil é um time muito feliz, um time que gosta muito de estar aqui. E isso faz muita diferença, porque, claro, as medalhas são muito importantes, mas tão importantes quanto essas medalhas são as experiências, são o que essas pessoas carregam pra vida e levam pra ginástica
Com o ciclo LA28 em andamento, a CBG indicou que os aprendizados em Roterdã serão usados para ajustar planejamento, investimentos e estratégias técnicas visando as metas de 2027 e a preparação para os jogos olímpicos.
Com informações de ge.

