A Seleção ficou no 1 a 1 com Marrocos na estreia e preocupa. Dados revelam falhas defensivas e dificuldade ofensiva que podem complicar a caminhada de Ancelotti no torneio.
No início da Copa do Mundo de 2026, o Brasil empatou em 1 a 1 com Marrocos, resultado que gerou preocupação para a sequência do torneio. A partida foi marcada por um domínio inicial dos marroquinos, evidenciado por uma inconstância defensiva da Seleção e uma notável dificuldade brasileira em criar oportunidades claras de gol.
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Além da percepção visual de um jogo complicado, a análise de dados revela ainda mais aspectos alarmantes para a equipe comandada por Carlo Ancelotti. Em meio a um bloco defensivo espaçado e um corredor central pouco utilizado, as próximas partidas contra Haiti e Escócia já exigem atenção para a rápida resolução de problemas no desempenho do Brasil.
De acordo com dados oficiais da FIFA, durante o período em que a bola esteve em jogo, o Brasil teve uma ligeira superioridade na posse de bola, com um percentual 1% acima do de Marrocos. Entretanto, essa aparente vantagem não se traduziu em um jogo equilibrado. Os marroquinos conseguiram 49 recepções no último terço do campo a mais do que a Seleção, com 149 contra 100, o que indica que o adversário conseguiu entrar na área brasileira com alarmante frequência.
Ofensivamente, o Brasil também enfrentou dificuldades para penetrar na defesa marroquina. Essa situação foi exacerbada pela forma como os africanos organizaram sua defesa, permitindo 41% da construção brasileira sem pressão adversária. Os marroquinos optaram por não pressionar alto, deixando os zagueiros brasileiros com a bola, o que dificultou a progressão da Seleção.
Sem opções de passe para avançar, a defesa do Brasil se viu obrigada a manter a posse de bola em um movimento de “U”, com passes laterais. As combinações mais comuns foram entre Gabriel Magalhães e Marquinhos, que representaram quase 12% de todos os passes da partida. Em uma análise mais profunda, constatou-se que o Brasil teve 348 “ofertas” de passe, mas metade delas ocorreu fora do bloco defensivo marroquino, o que torna a tarefa de furar a defesa adversária mais complexa.
Os jogadores que mais se ofereceram como opções de passe foram Vinícius Júnior (61 vezes) e Raphinha (59). Vinícius recebeu o passe em 42% das vezes em que se ofereceu, enquanto Raphinha teve um aproveitamento de 35%. Apesar de uma ligeira inferioridade na posse de bola, Marrocos tentou 13 passes de ruptura a mais do que o Brasil, com 132 contra 119, e a maioria dessas tentativas foi realizada entre as linhas defensivas brasileiras.
Esses números indicam que a defesa compacta de Marrocos foi suficiente para inibir a construção brasileira. A análise também sugere que o time de Ancelotti pode se beneficiar de uma abordagem mais focada no ataque pelas laterais. Vinícius foi efetivo em suas tentativas, mas no lado direito, Paquetá e Raphinha não conseguiram desempenhar um papel semelhante, faltando um ponta tradicional para dar suporte.
A tendência tática observada em 2022 ainda se mantém forte: equipes de sucesso se destacam em transições rápidas e aproveitam as brechas na defesa adversária. Marrocos se mostrou forte em transições e fez seu gol explorando essa estratégia. O Brasil, por outro lado, teve dificuldades em defender, com 34% do tempo sem a bola atuando em bloco médio e 20% em bloco baixo, contrastando com os 4% em que tentaram pressionar alto.
As tentativas de sufocar Marrocos com pressão alta não foram eficazes, refletidas nos números: os marroquinos tiveram 19 progressões a mais do que o Brasil, com 49 contra 30. A descoordenação no bloco defensivo brasileiro foi evidente, uma vez que a largura média do bloco alto do Brasil era quatro metros maior que a do Marrocos.
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