Embora a próxima eleição presidencial do São Paulo esteja marcada apenas para meados de 2026, a movimentação política no MorumBis já domina o ambiente tricolor. Em paralelo, o clube enfrenta pressão financeira e vive má fase em campo.
Choque entre Casares e Belmonte
Durante a derrota para o Ceará, na segunda-feira, o tema mais comentado nos corredores foi a possível saída do diretor de futebol Carlos Belmonte. Ele se distancia do presidente Júlio Casares por discordar do projeto de criação de um fundo de investimento para o centro de formação de Cotia, iniciativa que pretende separar a base do restante do clube.
📖 Leia Também
Casares lidera o grupo Participação, que concentra 20% do Conselho Deliberativo. Já Belmonte é ligado ao Legião, que, somado ao Movimento São Paulo — representado pelo diretor social Antônio Donizete, o Dedé — alcança 15%. Apesar das divisões, o presidente mantém maioria confortável no Conselho, o que lhe permitiu aprovar a própria possibilidade de reeleição e, mais recentemente, a adoção de um Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) para reduzir a dívida.
Após os rumores de que deixaria o cargo, Belmonte afirmou a jornalistas que permanece na diretoria e só sairá se for dispensado pelo próprio Casares.
Divergências sobre Cotia
A proposta de transformar Cotia em um fundo tem sido tratada em “roadshows” internos. Conselheiros são convidados a opinar antes que o texto seja levado oficialmente à votação, tentativa de chegar à sessão com aprovação encaminhada.
Mudança no Comitê de Governança
Outra movimentação que agitou o ambiente foi a retirada do conselheiro Daurio Speranzini do Comitê de Governança do Conselho Deliberativo, decisão tomada pelo presidente do órgão, Olten Ayres de Abreu. Ligado ao Participação, Speranzini — executivo do mercado financeiro há 35 anos — vinha alertando para a dívida próxima de R$ 1 bilhão e para gastos acima do previsto em 2023.
No lugar dele entrou o conselheiro Flavio Marques, opositor de Casares. Engenheiro com carreira em multinacionais do setor industrial, Marques é considerado um dos membros mais capacitados para avaliar o orçamento tricolor.
Próxima sucessão
A nomeação fortalece a oposição e aproxima Olten de uma possível candidatura à presidência em 2026. Casares, por sua vez, prefere lançar o atual CEO, Marcio Carlomagno. Outros nomes apontados como potenciais concorrentes são Adilson Alves Martins, Vinicius Pinotti e Marcelo Pupo. A coalizão governista deve começar a discutir o sucessor a partir de março, dentro de aproximadamente cinco meses.
Se Belmonte decidir concorrer, a expectativa é de que o faça fora da aliança que sustenta Casares. Quem vencer a disputa eleitoral poderá comandar o São Paulo no centenário do clube, em 2030. Parte da torcida pressiona para que o pleito seja decidido por voto direto, mas, por enquanto, a escolha continua restrita aos conselheiros.

