Associados analisarão proposta que transfere 90% da futura SAF ao grupo de Roberto Graziano. Oferta de R$ 1,075 bi inclui quitação de dívidas, investimentos e projetos imobiliários ligados ao estádio.
O Guarani pode tomar uma decisão histórica sobre o controle do futebol do clube. Os associados analisarão uma proposta que prevê a transferência de 90% das ações da futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para o grupo liderado pelo empresário Roberto Graziano. O valor global apresentado soma R$ 1,075 bilhão e engloba dívida, investimentos e projetos imobiliários vinculados ao estádio.
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Quem controlará o futebol?
Pelo modelo apresentado, o grupo de Roberto Graziano ficará com 90% das ações da SAF, enquanto o Guarani terá os 10% restantes. Na prática, o investidor será o acionista controlador da empresa, com maioria suficiente para comandar as decisões da SAF, respeitando as regras de governança, mecanismos de proteção e obrigações previstas no contrato. Os poderes exatos dependerão da versão final do documento de 83 páginas ainda em análise.
- Contratação e demissão de executivos
- Escolha da comissão técnica
- Montagem e negociação do elenco
- Definição do orçamento
- Administração das categorias de base
- Exploração das receitas comerciais ligadas ao futebol
Para onde irá R$ 1,075 bilhão?
O montante divulgado corresponde à soma dos investimentos e compromissos previstos em diferentes prazos e não necessariamente a um depósito imediato em conta. A proposta detalha destinos específicos para valores e operações.
- Até R$ 350 milhões para as dívidas incluídas na recuperação judicial, com pagamentos sujeitos às regras do plano judicial, descontos e prazos previstos.
- R$ 400 milhões destinados à operação da SAF e ao suporte ao clube social durante o período estipulado no contrato, sem caracterizar dinheiro livre exclusivamente para contratações.
- R$ 300 milhões estimados para a construção de um novo estádio, segundo a projeção apresentada.
O Brinco de Ouro e o novo estádio
A proposta inclui exploração imobiliária da área do atual Brinco de Ouro, com previsão de construção de cerca de 1.200 apartamentos no terreno ao longo de vários anos. A ideia está vinculada à construção de um novo estádio, com investimento estimado em R$ 300 milhões e prazo projetado de aproximadamente dois ou três anos após obtenção das licenças e aprovações necessárias. O projeto dependerá de autorizações urbanísticas e ambientais, definição do terreno, financiamento e execução das obras.
Cláusulas de proteção que precisam constar no contrato
Com o clube mantendo apenas 10% da SAF, as cláusulas de proteção são consideradas fundamentais. Entre os pontos apontados como essenciais estão:
- Proibição de mudança do nome, escudo e cores sem autorização
- Garantia de permanência do clube em Campinas
- Condições para a negociação ou exploração do Brinco de Ouro
- Prazo e garantias para a construção do novo estádio
- Punições em caso de atraso ou descumprimento dos aportes
- Responsabilidade pelo pagamento das dívidas
- Orçamento mínimo para o futebol
- Investimento obrigatório nas categorias de base
- Regras para venda futura das ações
- Direito da associação de fiscalizar as contas
- Possibilidade de recompra ou retomada do controle em caso de abandono
Esses pontos deverão estar escritos no contrato e acompanhados de garantias executáveis, já que a participação minoritária da associação reduz sua capacidade de vetar decisões em votações comuns entre acionistas.
Por que a votação foi adiada?
A decisão estava prevista para setembro, mas foi transferida para 2 de outubro. O pedido de mais prazo partiu do próprio Roberto Graziano e foi aprovado por unanimidade pelos associados. O adiamento permitirá a análise de uma nova versão do contrato e o alinhamento das alterações realizadas no documento.
Duas reuniões de esclarecimento foram marcadas para os dias 28 e 30 de setembro. A votação acontecerá em 2 de outubro, de forma híbrida, com participação presencial e remota; o processo ficará aberto até as 20h.
Quem decidirá?
A palavra final será dos associados habilitados a votar. Eles não decidirão apenas sobre a criação abstrata de uma SAF: a análise envolve uma proposta específica apresentada pelo grupo de Roberto Graziano.

