Artur Jorge apresentou um balanço dos primeiros seis meses no comando do Cruzeiro e detalhou o projeto que se estende até 2030. Em entrevista concedida na Toca da Raposa, o treinador falou sobre as dificuldades enfrentadas no ano, as metas para 2027 e as próximas decisões que orientarão a montagem do elenco dentro do vínculo assinado até 2030.
O técnico foi contratado após temporada de destaque no Botafogo em 2024 e foi o nome indicado por Pedro Lourenço para substituir Tite, em março deste ano. Menos de um mês depois da chegada, o clube ampliou o contrato do treinador até 2030, transformando-o em peça-chave do planejamento de médio e longo prazo da agremiação.
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“Digo isso sobre a potencialização de jogadores, a reorganização do futebol de base e a potenciação desportiva, a médio e curto prazo, para podermos preparar a equipe para decisões de Libertadores, de Copa (do Brasil) e de Campeonato (Brasileiro)”
No relato sobre os seis meses, Artur Jorge destacou a trajetória do time no Campeonato Brasileiro: tirou o clube da lanterna e colocou na briga por uma vaga na Libertadores, objetivo principal para a reta final da temporada. O técnico também lembrou das eliminações nas copas: nas quartas da Copa do Brasil para o Atlético-MG e nas oitavas da Libertadores para o Flamengo.
“O mais difícil para mim foi a eliminação da Libertadores. É uma competição que que me diz muito particularmente, onde nós conseguimos ver onde estão os melhores, uma competição sempre muito difícil, pelo equilíbrio que existe entre as equipas que disputam nessa competição.”
Artur Jorge admitiu arrependimento pela estratégia adotada no jogo contra o time carioca no Maracanã e considerou a queda na Libertadores o momento mais delicado do período de trabalho.
Sobre o planejamento para 2027, o treinador afirmou que avaliará o elenco até dezembro e destacou a importância dos jogos finais do Brasileirão para desenhar o ano seguinte. Com dez partidas restantes no campeonato, o processo de definição será influenciado pelo desempenho até o fim da temporada.
“Infelizmente, temos só dez jogos até o fim da temporada. Mas, com isso, percebermos que temos tempo para podermos pensar e fazer as coisas com calma e bem feitas. Uma coisa eu tenho a certeza absoluta e já disse aos meus jogadores: Nós vamos fazer a preparação na próxima temporada de dentro para fora.”
O planejamento inclui a possibilidade de retornos de atletas emprestados, com atenção especial a Gabriel (Gabigol), que soma 23 gols e dez assistências no Santos. Artur Jorge deixou claro que não fará análises individualizadas sem considerar o coletivo e a necessidade de agregação ao elenco.
“Uma coisa que eu não farei é individualizar. Nós vamos falar sempre daquilo que é o coletivo, daquilo que temos aqui dentro, para podermos olhar para a frente e pensar naquilo que podemos trazer ou acrescentar.”
Questionado sobre a disputa pela vaga de titular entre Cássio e Otávio, o treinador explicou que as escolhas seguem critérios de trabalho e honestidade, com a finalidade de ser justo com os atletas. Sobre Otávio, convocado para a Seleção após evolução na temporada, Artur Jorge ressaltou a aposta no jovem de 20 anos e a necessidade de dar continuidade a esse tipo de investimento.
“Da mesma forma que agimos com todas as outras posições. Com a mesma honestidade e seriedade, para poder ser justo com cada um deles.”
“Otávio, de forma nenhuma, iria sair do time nos cinco primeiros jogos. Acontecesse o que acontecesse, porque essa aposta tem que ser uma aposta para nós podermos valorizar e sustentar um jogador.”
O técnico manteve o foco no projeto amplo: potencializar jogadores, reorganizar a base e preparar o clube para disputar títulos nacionais e competições continentais ao longo do vínculo até 2030.



